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Forte relação do povo japonês com o mercado financeiro ajuda a explicar relevância econômica e geopolítica do Japão

Forte relação do povo japonês com o mercado financeiro ajuda a explicar relevância econômica e geopolítica do Japão
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A cada ano que passa, o mundo das finanças e dos investimentos financeiros no Brasil e em boa parte do mundo se torna cada vez mais popular entre as pessoas comuns. Algum tempo atrás, apenas alguns poucos investidores ousados e empresas, geralmente de grande porte, é que se arriscavam a entrar nesse segmento. A desmistificação do ramo e a facilidade de acesso, estão trazendo muitos novos interessados.

Enquanto que no Brasil esse processo é algo que tem aumentado nas últimas décadas, a população de países desenvolvidos como o Japão já tem muito conhecimento quanto aos investimentos financeiros. Em 2017, haviam quase 50 milhões de investidores individuais no Japão – cerca de 40% da população do país – negociando na TYO (Bolsa de Valores de Tóquio).

O Japão é um dos países mais promissores nas negociações usando criptomoedas. Atendendo à sua regulação (Lei de Serviços de Pagamento PSA), o Bitcoin e outras moedas digitais são propriedade legal como ativo financeiro (não sendo considerada uma moeda de fato), podendo tanto fazer compras quanto usar nas negociações e operar numa bolsa de criptomoedas.

Um dos fatores que torna o Japão tão conectado até de forma cultural com os investimentos, é a relação do mercado financeiro nacional com atividades como o Forex, mercado de negociação de moedas. As estimativas em 2017 eram de que quase um terço dos investidores em Forex se encontravam na Ásia, com boa parte destes baseados no Japão e passando seus dias discutindo sobre negócios em potencial e efetivados em fóruns online.

Esse elemento se fortalece através do iene, a moeda japonesa que é também uma das mais poderosas do mundo. Desde a metade da década de 1980 a moeda mantém paridade relativa com o dólar estadunidense, com pequenas variações ano a ano devido a movimentações internas para incentivar ou desincentivar exportações e importações com o resto do mundo. A moeda forte impulsiona também o poder de compra da população. E o que sobra nos bolsos dos japoneses acaba indo para poupanças e para investimentos financeiros.

O Banco Central do Japão tem um papel importante nisso, é responsável pela condução da política monetária japonesa que procura combater a deflação através do “quantitative easing” (afrouxamento monetário – veja o vídeo), que ficou famoso em 2008 por ser a tática utilizada nos Estados Unidos para recuperar a economia na América do Norte. Essencialmente, o quantitative easing se dá pela compra de títulos de ativos e de dívida, tanto públicos quanto privados, o que injeta dinheiro no cofre destas instituições, incentivando-as a gastar mais dinheiro de maneira produtiva.

Hoje, o Japão tem essa força econômica graças à sua história de crescimento pujante desde a era Meiji, que teve início em idos de 1867. O período de levante econômico coincidiu com a expansão do país em suas interações externas, incluindo o Brasil, cujos laços se estendem já por 125 anos – alcançados em novembro de 2020.

Ainda a nível geopolítico e também econômico, o Japão é um dos seletos países no mundo com capacidade e infraestrutura para recepcionar grandes eventos como as Olímpiadas, algo que será feito na metade deste ano na capital, Tóquio. Isso se dá graças aos investimentos acertados em complexos multiuso, hotéis, estradas e outros empreendimentos de construção civil com capacidade de recepcionar milhões de pessoas do mundo todo.

Enquanto que o Japão encontra-se atualmente em período de estagnação econômica por fatores que vão desde questões demográficas até monetárias, como a já mencionada deflação, sua importância como líder regional e consequentemente mundial não será perdida tão facilmente. E apesar de sua fase atual estar longe do ideal de décadas atrás, o país ainda é modelo para outros que almejam atingir altos postos de relevância cultural e econômica como o Brasil.