Como escolher seu hotel no Japão? by Roberto Maxwell

Como escolher seu hotel no Japão? by Roberto Maxwell

Como escolher seu hotel no Japão?

Uma das principais preocupações de quem viaja são as acomodações. Afinal, é o espaço que vai ser a sua casa por alguns dias bem intensos. Por isso, é preciso que o local se ajuste às suas necessidades, não é mesmo? Tem gente que é mega exigente com hospedagem e pensa em tudo: na cama, no colchão, no travesseiro, no banheiro… Outras pessoas, porém, já são um pouco mais flexíveis. Seja qual for o seu estilo, no Japão existem hospedagens de diversas categorias, níveis e, claro, preços para você escolher.

De hotéis de grandes redes internacionais como Hyatt, Four Seasons ou Mandarim Oriental, até os mais simples albergues, tudo pode ser encontrado aqui. Neste texto, porém, quero elucidar algumas expressões do setor hoteleiro japonês que podem ser estranhas para quem vem do Brasil e, com isso, poder te deixar com orientações para você escolher o seu lugarzinho durante os dias em que você estiver aqui na Terra do Sol Nascente. Vamos lá!


Business Hotel: barato e apertado

Quem vem para o Japão com um orçamento um pouco limitado se assusta com o tamanho dos quartos desse tipo de acomodação. Treze metros quadrados é a medida padrão das habitações dos chamados business hotels, uma das opções medianas de hospedagem nas cidades japonesas. Como o nome já entrega, são hotéis voltados para pessoas que estão em viagem de trabalho. Por isso, o espaço para bagagem é ínfimo. A cama e uma mesa de trabalho compacta ocupam praticamente todo o ambiente. O banheiro também é minúsculo já que boa parte dos quartos é pensado para apenas uma pessoa, mesmo nas opções semidouble ou double. Alguns business hotels têm opção de quarto twin, ou seja, com duas camas. Café da manhã, quando há, costuma ser bem simples e, em geral, é opcional.

Parece perrengue, mas, de verdade, este tipo de acomodação não é de todo ruim. Pelo contrário. Comodidades incluem produtos de higiene como shampoo, condicionador e sabonete líquido; toalha de corpo e de rosto e pijaminha; pasta e escova de dente, quase sempre; além de um destaque entre os turistas estrangeiros: o washlet, um vaso sanitário com opção de limpeza das partes íntimas com água após o uso. Um encanto!

Além disso, esses hotéis sempre têm wifi gratuito e as acomodações mais novas costuma ter carregadores USB na cabeceira da cama, item indispensável para quem gosta de dar aquela fuçadinha nas redes sociais antes de dormir.

Agora, se os business hotels são um tipo de estadia para viajantes a trabalho, por que eles aparecem aqui como uma opção para turistas? Por conta do preço. Business hotels custam um pouco menos que acomodações mais voltadas para turistas e, portanto, acaba atraindo quem vem somente a passeio em cidades como Tóquio, Osaka e Kyoto. Além disso, esses hotéis são muito bem localizados, instalados próximos a estações de trem e de metrô.

Boa parte dessas acomodações é administrada por redes como APA Hotels, Toyoko Inn, Route Inn, Daiwa Roynet e Dormy Inn. Os preços para um quarto, dependendo da época e da antecedência, podem ficar entre 80 e 120 dólares por pessoa nas metrópoles japonesas. Se você é do tipo que não se importa de passar um pouco de aperto, mas não abre mão de algum tipo de conforto, os business hotels podem ser uma boa opção.

Ryokan: a tradição japonesa de hospedar

Agora, se você gosta de mergulhar fundo na cultura local, certamente vai querer se hospedar de uma forma tradicional e os ryokan são excelentes nesse sentido. Antes de qualquer coisa, o primeiro desafio para entender essa acomodação tradicional japonesa é saber pronunciar seu nome. No japonês, a letra “r” é usada para transcrever sons equivalentes ao nosso “r” brando, ou seja, aquele em que esse caractere aparece no meio de uma palavra, como em cara ou marido. Além disso, o “o” da primeira sílaba é fechado e comprido, mais ou menos como em vovô.

Desvendada a pronúncia, o ryokan é uma espécie de pousada. Os quartos são de tatami, o aconchegante piso de palha tradicional japonês, e quase sempre não há camas. Os hóspedes dormem em confortáveis futon que são como colchões finos, colocados diretamente no tatami. Bem minimalistas, os quartos de ryokan costumam ter armários embutidos e, na grande maioria dos casos, a mobília se limita a uma mesa de centro com alguns assentos de madeira no nível do chão ou, ainda, o zabuton, uma espécie de almofada usada para sentar. Apesar das muitas mudanças que o Japão vem vivendo nas últimas décadas, uma grande parte dos japoneses ainda dorme dessa forma. Em outras palavras, quem fica num ryokan está dormindo do mesmo modo que o povo local dorme nos dias de hoje.

Outra possibilidade que esse tipo de acomodação oferece são as refeições tradicionais. Nos ryokan estabelecidos em estâncias de águas termais, geralmente afastados dos centros urbanos, os planos de hospedagem incluem duas refeições: o jantar e o café da manhã. O serviço e a luxuosidade do banquete vai depender do preço da estadia que pode começar em US$ 120 e ir muito além disso. Nos ryokan mais caros, o banquete é servido no próprio quarto por duas ou até três atendentes vestidas de quimono e num formato de menu degustação, com diversos pequenos pratos, no estilo kaiseki contemporâneo. Ingredientes locais e sazonais e pratos tradicionais fazem parte do menu. Portanto, não espere comida ocidental.

Existem ryokan em todo o Japão. Mas, da minha parte, recomendo que você escolha esse tipo de hospedagem quando for visitar uma estância de águas termais. Neste caso, além de todos os confortos e tradições comuns em pousadas do tipo, é possível conhecer a cultura japonesa dos banhos que, em geral, são feitos em espaços coletivos, com grandes e pequenas piscinas de águas termais, os ofurô. Nesses espaços, divididos por gênero, você se banha por imersão, sem roupas. Muitas dessas pousadas têm, ainda, banhos ao ar livre, devidamente protegido de gente curiosa do lado de fora. Eles são chamados de rotemburô e é uma delícia, mesmo quando está muito frio.

Caso você tenha acanhamento em se banhar num espaço coletivo, procure um ryokan com banhos privados. Alguns oferecem ofurô no próprio quarto. Outros alugam por até uma hora espaços de banho mais reservados para indivíduos, casais ou grupos. Informe-se na hora da reserva.

Dito isso, fica a dica: dormir dessa forma tradicional pode ser mais difícil para pessoas com dificuldade de locomoção e com problemas ósseos e musculares. Pense que, caso você necessite se levantar para ir ao banheiro, terá que começar o movimento do chão e não haverá nenhum tipo de apoio. Neste caso, pense bem na sua condição física antes de decidir experimentar um ryokan.

Hotel cápsula: o aperto pode ser ainda maior

Se o seu orçamento é realmente apertado, não existe hospedagem mais barata que os hotéis-cápsula. Há não muito tempo, os preços desse tipo de acomodação começavam em USD 30. Porém, a chegada de redes como a Nine Hours trouxe o conceito de hotel boutique para as cápsulas e não é difícil de encontrar diárias por até USD 90. Se bobear, esse é o mesmo preço de um business hotel num bairro menos concorrido.

A ideia de hospedagem aqui é, basicamente, ser o mais compacta possível, oferecendo às pessoas que se hospedam apenas o mínimo de conforto necessário para uma boa noite de sono. Isso quer dizer uma caminha num espaço, a cápsula, em que você consegue se sentar e até ver TV num pequeno monitor. O espaço costuma ter algum tipo de conexão elétrica para você carregar seus aparelhos, um travesseiro e só. Toalhas de banho e de rosto, além de pantufas podem ser alugadas ou compradas no local. Os espaços de banho são coletivos e, como as áreas de dormir, divididos por gênero.

Parece perrengue e, se você for muito exigente, realmente é. Mas, ao contrário do que muita gente pode imaginar, a acomodação é confortável, dentro das limitações que tem. Há quem pense que a cápsula é apertada ou muito claustrofóbica. Neste caso, acho que é sempre bom pensar nas cápsulas como beliches com mais privacidade, dentro de um quarto coletivo como o de um albergue. Quem já teve essa experiência, dificilmente vai achar complicado dormir num hotel cápsula.

Outra coisa que é preciso pensar caso você decida se hospedar nesse tipo de acomodação são as bagagens. Em geral, elas ficam guardadas em armários trancados a chave na área de dormir ou no espaço dos banheiros. Procure saber antes de reservar se é possível deixar as malas em caso de vários pernoites consecutivos. Em geral, sim. Mas confirmar é sempre bom.

Enfim, acho que eu poderia falar ainda sobre outros tipos de acomodação como os minshuku, pousadas mais simples, ou o shukubo, a hospedagem em templos. Mas creio que essas três estadias são mais populares e acho que ajudam bem a pesar na hora de você escolher entre hotéis de formatos mais internacionais ou esses estilos que são bem comuns por aqui. De qualquer modo, se vocês quiserem que a gente volte ao assunto, é só pedir por aqui ou lá no meu instagram @robertomaxwell.

É isso. Mês que vem tem mais. Até lá.

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Coluna Viagem ao Japão


Roberto Maxwell é jornalista e, atualmente, trabalha como consultor de projetos e acompanhante de viagens no Japão. Você pode conhecer melhor o seu trabalho no site www.tabiji.co e no Instagram @robertomaxwell.