Como fazer viagens entre cidades no Japão? – by Roberto Maxwell

Como fazer viagens entre cidades no Japão? – by Roberto Maxwell
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Japão e Brasil ficam, literalmente, em lados opostos do planeta. Não é exagero achar que você está viajando meio mundo para chegar aqui. Por isso, muita gente acha que virá à Terra do Sol Nascente somente uma vez na vida e procura aproveitar a viagem ao máximo. Desde que comecei a trabalhar com turismo, tenho visto que essa expectativa não se concretiza. Há quem se apaixona pelo país de tal forma que não resiste e acaba voltando. Entendo perfeitamente já que não é à toa que estou aqui até hoje, passados quase 15 anos da minha chegada. Seja você alguém que visita uma única vez ou aquela pessoa que volta, a coluna de hoje é para quem quer aproveitar o máximo a estadia no Japão, aproveitando a oportunidade para conhecer diversos locais. Vamos falar do melhor meio de transporte para viajar pelo país e de como fazer isso gastando menos.

Como fazer viagens entre cidades no Japão? – by Roberto Maxwell
Como fazer viagens entre cidades no Japão? – by Roberto Maxwell. Foto Unsplash/Fikri Rasyid

Rapidez e eficiência

O Japão é pequeno mas extenso. De nordeste a sudoeste, o país se estende por mais de 3 mil quilômetros. Só em termos de comparação, a extensão norte-sul do Brasil — que tem um território 25 vezes maior que o do Japão — é de pouco menos de 4 mil e 300 quilômetros. De um modo geral, o visitante de primeira viagem não viaja por todo o arquipélago. Porém, é possível — e até recomendável — visitar mais de uma cidade japonesa mesmo que a sua estadia seja de apenas 7 dias. Neste sentido, os trens surgem como os grandes facilitadores dos deslocamentos Japão afora.

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Com uma rede ferroviária que cobre praticamente todo o território do país, o Japão inventou o trem-bala. Até o ano de 1964, quem quisesse percorrer rapidamente distâncias de mais de 300 km tinha que optar pelo avião. Deslocar-se até o aeroporto, fazer o check in, despachar a mala e aguardar o horário do embarque era, naquela época, mais rápido do que tomar um trem ou um ônibus para realizar tal viagem. Com o trem-bala, esse jogo mudou, tanto para quem viaja a negócios quanto para quem está a turismo. Mesmo para viagens de longa distância é possível embarcar e desembarcar no centro da cidade, sem espera e sem burocracia. Imagina você saindo de Brasília e chegando em São Paulo já na Avenida Paulista, poucos minutos antes da sua reunião. Em Tóquio, Nagoya ou Kyoto, isso é uma realidade graças ao Shinkansen, o trem-bala japonês.

Existem 9 linhas de Shinkansen no Japão e é possível partir de Tóquio e trafegar por todas elas, se necessário for. A chamada Rota de Ouro do turismo japonês, por exemplo, pode ser feita praticamente toda de trem-bala. De Tóquio, você pode ir para Kyoto e Osaka pela linha Tokaido Shinkansen e seguir viagem para Hiroshima pela Sanyo Shinkansen. A viagem mais rápida entre Tóquio e Kyoto leva pouco menos de 2 horas e 20 minutos; para Osaka, conte mais 20 minutos. Entre a capital japonesa e Hiroshima, a viagem leva cerca de 4 horas.

Embarcar no Shinkansen é, por si só, uma experiência de viagem. A “velocidade de cruzeiro” é de 300 quilômetros por hora e mesmo olhando pela janela não dá para perceber que ele corre tanto já que o bicho trafega com uma leveza inacreditável. Solavancos e tremeliques praticamente não existem durante a viagem. O barulho também é mínimo. Com isso, a viagem no trem-bala é confortável e tranquila. Existem dois tipos de assento: os dos vagões normais — ordinary em inglês — já são confortáveis o suficiente para a maioria dos mortais. Nesses carros existem duas fileiras, uma com dois assentos e outra com três. Quem deseja ainda mais conforto pode optar pelos vagões Green, que são a classe executiva dos trens-bala japoneses. Neste caso, são apenas dois assentos — mais largos — por fileira. O preço também é cerca de 30% mais alto que o do vagão comum. Recentemente, as linhas que vão para o norte do país passaram a oferecer o Gran Class, uma verdadeira primeira classe, com assentos ainda mais confortáveis e um serviço de bordo, com refeição e bebidas.

Quanto custa?

Nada nessa vida é de graça, a gente já sabe. Toda comodidade tem um preço e o trem-bala é tudo menos barato. Cobrindo uma distância de quase de 460 quilômetros, o trecho entre Tóquio e Kyoto, por exemplo, sai por cerca de 130 dólares americanos. Por esse valor (cerca de 500 reais) é possível ir do Rio à Brasília de avião! Mas os japoneses são inteligentes e pensam no transporte público também como um motor de desenvolvimento econômico e distribuição de riquezas. Por isso eles criaram um meio para encorajar os turistas não residentes a se deslocarem pelo país e o Shinkansen é a mola mestra deste projeto. Assim surgiu o JR Pass que torna mais barato o acesso aos trens da Japan Railways, um conglomerado formado pelas principais empresas ferroviárias de cada uma das regiões japonesas. Por tarifas bem interessantes, o portador do passe pode usar os trens das companhias JR em todo o país, incluindo os Shinkansen, por períodos de 7, 14 ou 21 dias.

De um modo geral, quem viaja entre Tóquio, Kyoto e/ou Osaka e Hiroshima tem grandes chances de fazer valer o JR Pass. Para 7 dias, o passe que dá direito a assentos nos vagões comuns custa cerca de 270 dólares americanos. Só os trajetos Tóquio – Kyoto e Kyoto – Hiroshima custam quase isso. Portanto, se você conseguir colocar suas viagens de longa distância no período de uso do passe, pode ter grandes vantagens. Além disso, também dá para usar o JR Pass em viagens curtas, mesmo dentro de cidades como Tóquio e Osaka que têm extensa linha de metrô como opção. Nessas cidades, as empresas JR locais oferecem linhas de superfície que fazem trajetos semelhantes aos dos trens subterrâneos. Mas não se fie somente nisso. São as viagens de longa distância que vão dizer se o passe vale a pena para você ou não.

Usando ou não o JR Pass, não deixe de conhecer o trem-bala japonês e, se quiser saber se o JR Pass é uma opção para o seu trajeto, não hesite em me procurar pelo site do Tabiji ou pela minha conta no Instagram. Os links ficam aqui embaixo e eu terei o imenso prazer em te ajudar a encontrar a melhor forma de se locomover pelo Japão. Até a próxima!

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Roberto Maxwell é jornalista e, atualmente, trabalha como consultor de projetos e acompanhante de viagens no Japão. Você pode conhecer melhor o seu trabalho no site www.tabiji.co e no Instagram @robertomaxwell.